1 – (PUC-PR) Observe as informações abaixo e identifique a alternativa incorreta:
1907 – eleição de Olavo Bilac como “Príncipe dos Poetas”
1908 - publicação de Memorial de Aires, de Machado de Assis
1909 - publicação de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto
1909 - publicação em jornal brasileiro do manifesto intitulado “O Futurismo”
1911 - publicação de Ilusão, de Emiliano Perneta
a) A linguagem de Recordações do escrivão Isaías Caminha, narrativa das desventuras de um garoto no colégio interno, mescla influências simbolistas e expressionistas.
b) Memorial de Aires, último romance escrito por Machado de Assis, foi publicado no mesmo ano da morte de seu autor, como obra póstuma.
c) Diferentemente do que aconteceu em outros lugares, no Brasil o Simbolismo, que teve em Emiliano Perneta um de seus principais representantes, conviveu por muitos anos com o Parnasianismo, de que a poesia de Olavo Bilac é bom exemplo.
d) O chamado Pré-Modernismo foi marcado pela convivência de tendências estéticas tão diferentes entre si como o Simbolismo, o Parnasianismo, o Realismo de caráter social e o Realismo de feição regionalista.
e) Apesar de ter chegado ao Brasil logo depois de seu surgimento na Itália, o Futurismo só viria a influenciar decisivamente os escritores brasileiros cerca de uma década depois da publicação do manifesto acima citado.
2 – (UFRN) Leia o trecho abaixo, extraído da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos.
“Que mãos enormes! As palmas eram enormes, gretadas, calosas, duras como casco de cavalo! E os dedos eram também enormes, curtos e grossos. Acariciar uma fêmea com semelhantes mãos!”
Percebe-se, no fragmento, tendência
a) regionalista: utilização de linguagem específica do sertanejo.
b) naturalista: atribuição de características animais à personagem.
c) realista: compromisso com a descrição objetiva da personagem.
d) modernista: inventividade no uso da linguagem regional.
3 – (UFPA) Leia os trechos:
I. “(…)Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor?(…)”
II. “(…)Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma Sexta-feira de agosto. Não sei bem o ano; foi antes de 1850.(…).”
Sobre os trechos acima é correto afirmar:
a) I e II pertencem ao Romantismo por apresentarem personagens idealizados pela marca da genialidade de José de Alencar.
b) I e II pertencem ao período conhecido como Realismo por apresentarem traços marcantes de recordação do autor Machado de Assis.
c) I faz parte da obra “Senhora” de José de Alencar cuja personagem Aurélia Camargo é protagonista. II faz parte do conto “O Caso da Vara” de Machado de Assis cujo personagem Damião é protagonista.
d) I faz parte da obra “Banho de Cheiro” de Eneida de Moraes e II faz parte da obra “Miguel Miguel” de Haroldo Maranhão em que há o personagem Damião Miguel.
e) I e II são trechos de dois contos de Lygia Fagundes Telles, “Natal na Barca” e “As formigas” respectivamente.
4 – (PUC-MG) Antônio Cândido, em sua obra “Formação da literatura brasileira”, ao escrever sobre Romantismo, considera que, nesse estilo, o patriotismo se aponta ao escritor como estímulo e dever. Com efeito, a literatura foi considerada parcela dum esforço construtivo mais amplo, denotando o intuito de contribuir para a grandeza da nação. Manteve-se durante todo o Romantismo este senso de dever patriótico, que levava os escritores não apenas a cantar a sua terra, mas a considerar as suas obras como contribuição ao progresso. Acrescenta ainda três elementos românticos nacionalistas: desejo de exprimir uma nova ordem de sentimentos, agora reputados de primeiro plano, como o orgulho patriótico, extensão do antigo nativismo; desejo de criar uma literatura independente, diversa, não apenas uma literatura, (…); a noção já referida de atividade intelectual não mais apenas como prova de valor do brasileiro e esclarecimento mental do país, mas tarefa patriótica de construção nacional.”
A obra de Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma,
a) é romântica e exemplifica as palavras de Antônio Cândido, já que seu protagonista se comporta como um romântico.
b) não é romântica e contraria as palavras de Antônio Cândido, à medida que as atitudes do protagonista vão se revestindo de heroísmo romântico.
c) não é romântica e contradiz as palavras de Antônio Cândido, tendo em vista que o protagonista acaba por se submeter a uma visão antinacionalista e, portanto, anti-romântica.
d) é romântica e ratifica as palavras de Antônio Cândido, porque o orgulho patriótico-romântico do protagonista encontra lugar de ação no decorrer da narrativa.
e) opõe-se ao Romantismo e não retrata as palavras de Antônio Cândido, pois ironiza as posturas nacionalistas românticas através do protagonista.
5 – (UERJ) TEXTO I
01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo
02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e
03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores
04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados.
05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor
06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa.
07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos,
08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do
09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os
10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a
11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha
12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar,
13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que
14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples
15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais
16 do apaixonado adorador de si mesmo.
(Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.)
TEXTO II
01 Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo
02 tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os
03 seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (…). Nada há que valha a
04 terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento
05 fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as
06 lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua
07 terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus
08 rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo
09 pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a
10 Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos
11 trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da
12 saudade.
(Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.)
Os narradores dos textos I e II apresentam, respectivamente, as seguintes atitudes em relação à pátria:
a) ética – parnasiana
b) cínica – romântica
c) romântica – irônica
d) parnasiana – imatura
Gabarito:
1-a 2-b 3-c 4-e 5-b
